Comer ficou difícil demais?

Faça uma breve pausa e recorde um sabor que marcou sua infância. O bolo da avó, uma fruta descoberta em uma viagem ou um prato feito com carinho especialmente pra você. Tente captar quais emoções e lembranças essa memória traz. Felicidade, aconchego, amor, amizade?

Você já imaginou que esse sabor muito tem a ver com a sua saúde?

Temos visto recentemente uma onda saudável e fitness invadindo redes sociais, capas de revistas e reportagens na TV. A última moda é postar foto do prato saudável, do suco detox, do selfie na academia, da invenção culinária sem glúten, sem açúcar, sem gordura ou com whey protein. A intenção é incentivar saúde, qualidade de vida e bem estar. O perigo dessa tendência é que muitas vezes os alimentos são categorizados como bons ou ruins – os bons alimentos são vistos como salvadores da saúde, protetores de doenças e emagrecedores enquanto os alimentos ruins culpados por causarem doenças e ganho de peso.

Esse pensamento demonstra o quanto estamos equivocados quando se trata de saúde e alimentação saudável, tampouco são exemplos de alimentar-se de forma equilibrada. Cada alimento tem uma função diferente no nosso organismo e ainda assim pode interagir de forma diferente dependendo até mesmo do nosso perfil genético. Se passarmos a categorizar os alimentos somente por causa das calorias que ele tem podemos cair numa armadilha muito perigosa.

Enquanto nutricionista não considero saudável optar somente por determinados alimentos ou grupos de alimentos levando em consideração o baixo teor calórico ou uma função nutricional específica. Não acredito que valha a pena pagar caro por produtos alimentícios industrializados com adição de ingredientes importados e suplementos sintéticos quando não há indicação para tal.

Também não vejo com bons olhos a busca incessante por um corpo magro e musculoso e a dedicação excessiva em adequar-se a um padrão de beleza que não contempla a maioria das pessoas comuns. Alguém que faz exercícios físicos em excesso e seleciona com rigor os alimentos pode aparentemente, dar a impressão de saúde e talvez até acredite que seja saudável. No entanto pessoas com esse perfil podem estar prestes a desenvolver quadros graves de transtornos alimentares como bulimia e anorexia e outros transtornos do comer que, na maioria dos casos, começam através de uma dieta.

Estamos com tanto medo da obesidade que passamos a encarar a comida de uma forma muito complicada, cheia de culpa, medo e restrições. Assim como fazemos com a comida também repetimos essa falsa ideia com os exercícios físicos. Temos o hábito de achar que comer de forma saudável e praticar exercícios físicos são difíceis e exigem muito esforço. Sabe aquela expressão “Tá pago” quando a pessoa posta uma foto fazendo exercício físico? Ela é exemplo desse comportamento de culpa e não tem nada a ver com saúde. E é por esses motivos que a grande maioria das pessoas não consegue se alimentar de forma autônoma e intuitiva.

Ter saúde é comer de tudo sem culpa e com prazer, orgânicos e regionais, aprender a cozinhar, compartilhar os momentos das refeições, experimentar novos alimentos, perceber sua fome e sua saciedade, exercitar-se regularmente e em modalidades que você goste e se divirta, melhorar a relação com o espelho e ter uma imagem positiva de si mesmo.

Natalí Morais Magalhães
CRN 28565
Insta: @natali_nutricionista
Página Facebook: @nutricionistanatali

Deixe uma resposta