Consumo de macronutrientes por jogadores de futsal da categoria sub20 de um time em Joinville – SC

RESUMO 

O futsal, modalidade esportiva que foi adaptada do futebol de campo em 1930, muito popular no Brasil fazendo parte de umas das principais atividades esportivas praticadas nas escolas de todo o país, é um esporte de alta performance e por isso a alimentação e a composição corporal estão diretamente ligadas com o rendimento e a performance durante o jogo. O objetivo do estudo foi analisar o consumo de macronutrientes para jogadores de um time de futebol da cidade de Joinville/SC, verificar se estão dentro do indicado para essa categoria. Foi realizado com um grupo de jovens jogadores (n15), na faixa etária 17 a 20 anos do sexo masculino. Foram coletadas as variáveis de peso (kg) e estatura (cm), para classificação do IMC OMS (2004). Para análise do consumo alimentar foi aplicado um recordatório alimentar 24 horas (R 24 Hrs). A média da necessidade energética dos atletas foi de 3.469,73 kcal/dia, porém o consumo diário dos mesmos foi de 2.64,24 kcal/dia, com déficit de 821 kcal/dia. Em relação aos macronutrientes o consumo diário de carboidratos foi de 39,97 %, abaixo do recomendado (60% a 70% VET), as proteínas foram de 27,24 % acima do preconizado (10- 15% VET) e os lipídios 34,73 % dentro do recomendado (até 30% VET). Conclui-se que a ingestão calórica está insuficiente para atividade física desempenhada, e a distribuição dos macronutrientes esta inadequada, demonstrando a importância de um acompanhamento nutricional para um bom desempenho e desenvolvimento do atleta. 

INTRODUÇÃO 

O futsal, modalidade esportiva que foi adaptada do futebol de campo em 1930, muito popular no Brasil fazendo parte de umas das principais atividades esportivas praticadas nas escolas de todo o país. é um esporte de alta performance e por isso a alimentação e a composição corporal estão diretamente ligadas com o rendimento e a performance durante o jogo. Também os exercícios físicos, principalmente os moderados, estimulam o crescimento, devido ao aumento significativo do hormônio de crescimento na circulação em adolescentes e jovens (Hallal, 2006; (SILVA, 2011). 

Outro fator importante no esporte é a necessidade de uma alimentação adequada que visa manter a saúde, preservar a composição corporal, fornecer as vias metabólicas associadas à atividade física, armazenar energia na forma de glicogênio, retardar a fadiga, promover a hipertrofia muscular e quando necessário auxiliar na recuperação de lesões e traumas eventualmente provocados no exercício (Wolinsky e Hickson, 2002). 

Ter um consumo adequado dentro dos parâmetros de macronutrientes te suma importância, não apenas para na energia mas na qualidade dietética. ( ACSM, 2009, Guerra et al, 2001). 

Os macronutrientes tem função importante no desempenho do atleta, os quais são distribuídos em carboidratos, proteínas e lipídios. Em relação aos carboidratos servem como combustível, reserva de energia, ligam-se a outros macronutrientes que desempenham importantes papéis nas membranas celulares. As proteínas têm uma função plástica no nosso organismo são responsáveis pela formação e reparação dos tecidos, proporcionam adaptações em resposta ao treinamento físico, além de estarem envolvidas na formação de hormônios e de enzimas que participam de diversas funções, dentre as quais, o metabolismo (OLIVEIRA; POLACOW, 2009). 

Os lipídios são importantes para o nosso organismo porque fazem parte da estrutura celular, estão envolvidos com algumas funções hormonais, são essenciais para a absorção e utilização de vitaminas lipossolúveis, estão envolvidos na proteção térmica e contra choques mecânicos (CARVALHO, et al 2010).

A adequação do consumo energético e nutricional é de extrema importância para a manutenção do desempenho da composição corporal e da saúde dos indivíduos (GUERRA et al, 2001). 

Desta forma objetivou-se verificar o consumo de macronutrientes para jogadores de um time de futebol da cidade de Joinville /SC, verificando se estão dentro do indicado para essa categoria. 

MATERIAIS E MÉTODOS 

O estudo foi iniciado após aprovação da pesquisa pelo Comitê de Ética em Pesquisa (CEP) parecer 4.241.248. 

Trata-se de um estudo transversal, realizado em um time de futsal categorias sub 20 na cidade de Joinville-SC. Contou com a participação de 15 jogadores, do gênero masculino, com idade entre 17 a 22 anos 

Inicialmente, todos os jogadores juntamente com os pais ou responsáveis dos menores de idade, foram convidados para participar do estudo, por meio de uma reunião onde foi explicado o caráter da pesquisa e as etapas do estudo. Após aceitarem participar do estudo, os atletas assinaram o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE) assim como os pais ou responsáveis pelos menores de idade e autorizando o filho a participar e os filhos assinaram o Termo de Assentimento, onde constava a informação que os participantes poderiam se recusar a responder a qualquer pergunta ou participar de procedimentos se por ventura lhe causar algum constrangimento ou dano, podendo desistir da mesma, sem nenhum prejuízo. A pesquisa foi realizada no mês de setembro do ano de 2020, nos dias de treinamento na sede do time, que ocorreram sistematicamente de segunda a sexta feira. A avaliação antropométrica ocorreu antes do treino. Foram coletadas as variáveis de peso (kg) e altura (cm) para o cálculo do índice de massa corporal (IMC). 

O peso dos atletas foi aferido em quilogramas (Kg), mediante a balança digital GEOM® com capacidade de 150 kg e precisão de 100g, onde os adolescentes foram orientados a ficar com o corpo ereto, cabeça erguida com o peso distribuído igualmente nos dois pés, com os braços estendidos ao longo do corpo. A estatura foi aferida em centímetros (cm) por meio de um estadiômetro da marca Seca® de 200 cm de comprimento e divisão de 0,1 cm, com fita mecânica e adesão na parede. Os participantes foram orientados a posicionar-se de maneira ereta, cabeça erguida, com os olhos em direção a um plano horizontal, com a coluna vertebral e calcanhares encostados na parede sem rodapé ou porta, joelhos esticados, pés juntos e braços estendidos ao longo do corpo. A classificação do estado nutricional foi determinada através do cálculo do IMC, utilizado para identificar na tabela de curvas de IMC por idade (meninos dos 5 aos 19 anos), segundo a OMS (2007). O IMC consiste no cálculo do peso ou massa corporal (kg) dividido pela estatura ao quadrado (m2), revelando desta forma a relação peso/altura do indivíduo. A classificação do IMC foi de acordo com os critérios preconizado pela OMS, 1998. Onde classifica em baixo peso (<18,5 kg/m2), eutrofia (18,5 a 24,9 kg/m2), sobrepeso (25 kg/m² a 29,9 kg/m²) e obesidade (≥ 30 kg/m²). 

Houve também a realização da entrevista individual para aplicação do Recordatório 24 horas, que inclui dados de identificação (nome, data de nascimento e posição no time), dados alimentares (horário das refeições diárias, tipo de alimento consumido e quantidade), este instrumento consiste em registrar os alimentos e bebidas consumidos no dia anterior a entrevista. 

O Recordatório 24 horas foi analisado com auxílio do software (Dietbox software para nutricionistas), onde foi possível verificar a ingestão calórica diária de cada atleta que foram expressos em quilocalorias (kcal) e os macronutrientes (carboidratos, proteínas e lipídios), expressos em porcentagem (%). O cálculo da ingestão calórica e de macronutrientes obtida no recordatório alimentar de um dia habitual, foi analisada e comparada às recomendações propostas pela Diretriz da Sociedade Brasileira de Medicina do Esporte (SBME), para esportes de longa duração como o futebol: kcal totais de 3000 a 5000 kcal/dia, carboidratos de 60% a 70%, proteínas 1,2 a 1,6g/kg de peso corporal e 30% de lipídios (SBME, 2009).

Nutricionista: Vanderleia Meirinho dos Santos 

Instagram: @vandadosantos 

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