Gestação saudável

Gestar significa formar e sustentar um filho no próprio organismo. É preciso recordar que a gestação é sim um estado fisiológico e não um patologia ou quadro que precise de sérias intervenções terapêuticas.

O corpo da mulher se prepara ao longo da vida para a gestação, e quando ocorre a fecundação e implantação do óvulo fecundado no útero, iniciam-se alterações puramente fisiológicas para viver esse período. O feto não é um parasita nutricional que exaure a mãe e a deixa em estado carencial. Uma gestante sem patologias e bem nutrida está apta a garantir o crescimento e desenvolvimento do feto e assegurada de reservas energéticas para o pós parto e amamentação.

O organismo materno faz suas adaptações para viver as duas fases da gestação: a fase materna e a fase fetal. A fase materna ocorre na primeira metade da gestação e prepara o corpo da mulher para a segunda metade da gestação onde o feto se desenvolve e cresce.

As adaptações fisiológicas da fase materna são especialmente: aumento do apetite e da capacidade de absorção de nutrientes; aumento do volume sanguíneo, líquido extracelular e circulação do fluxo sanguíneo para assistir a distribuição de oxigênio e nutrientes para mãe e filho; aumento da ventilação pulmonar; aumento do estoque de nutrientes (principalmente lipídeos); aumento da produção de insulina para o corpo materno ficar mais resistente a hipoglicemia.

Diante das mudanças fisiológicos, as necessidades nutricionais também mudam. Então, as gestantes devem organizar e adaptar a alimentação dessa fase. Vamos entende-las:

  • Na gestação, são necessárias cerca de 80.000 kcal para a geração do feto e adaptações maternas. Então é preciso sim aumentar a ingestão calórica e por isso o apetite da mãe costuma aumentar. Mas o excesso do consumo e do ganho de peso traz prejuízos fisiológicos e estéticos. Em média, o adicional calórico de uma gestação normal é 285 kcal\dia.
  • Em relação a proteínas, são sintetizadas 1000 g (500 g no feto, 60 g na placenta e 440 g no corpo da gestante). Não é preciso elevar o consumo de proteínas de maneira excessiva, aliás, há indícios que o excesso aumenta a incidência de partos prematuros.
  • A necessidade de vitaminas e minerais aumenta nos segundo e terceiros trimestres e nessa fase há aumento também do apetite da mãe. Se bem orientada, haverá a correta ingestão desses micronutrientes.
  • As orientações válidas na gestação englobam: comer alimentos não industrializados; consumir mais alimentos de origem vegetal (80 a 85%) e apenas 15 a 20% de origem animal; evitar a monotonia alimentar, variando os alimentos, cores e formas de preparo; evitar excesso de açúcar, sal e bebidas alcoólicas; mastigar bem os alimentos e saboreá-los.

Na Nutrição Integrativa, acredita-se que as mães devem seguir três praticas principais na gestação: nutrição, estilo de vida e processo de pensamento. Para gerar uma criança feliz e em equilíbrio com a natureza e o mundo, não basta tomar suplementos e comer alimentos saudáveis. A mãe precisa ter um estilo de vida que englobe sono adequado, exercícios físicos, manejo do stress, convivência com pessoas que dão suporte, apoio e amor e sim alimentação saudável. E é importante que a mãe saiba gerir seus pensamentos e emoções, enviando positividade, segurança, paz e alegria para o ser que está gerando!

Priscila Walker

Nutricionista CRN 3377 e 117/S

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Referências:

Programa Nacional para a Promoção da Alimentação Saudável Alimentação e Nutrição na Gravidez, Portugal, 2015.

Orientações nutricionais: da gestação à primeira infância, Senado Federal, Brasil, 2015.

Nnam, N. (2015). Improving maternal nutrition for better pregnancy outcomes. Proceedings of the Nutrition Society, 74(4), 454-459.

Morrison, J.L.; Regnault, T.R.H. Nutrition in Pregnancy: Optimising Maternal Diet and Fetal Adaptations to Altered Nutrient Supply. Nutrients 2016, 8, 342.

Chopra, D.; Simon, D.; Abrams, V. Origens Mágicas, vidas encantadas, 2006.

Parizzi, M. R.; Fonseca, J. G. M. Nutrição na gravidez e lactação. Rev Med Minas Gerais, 2010; 20 (3):341-353.

 

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