Qual a relação entre fertilidade e alimentação?

Já é consenso que a alimentação saudável é necessária para a saúde plena e qualidade de vida, porém ainda é pouco relacionada com a Fertilidade, inclusive pelos profissionais de saúde.

Ao pensar em gerar uma nova vida, serão necessários 50 % de contribuição da mãe e 50% do pai. Quanto mais equilibrado nutricionalmente o casal estiver, mais aumenta a chance de engravidar, manter a gestação e principalmente gerar um bebê saudável. Aqui é importante frisar que não basta engravidar, e sim gerar um bebê realmente saudável.

E é cada vez maior as taxas de infertilidade feminina e masculina, assim como o número de partos prematuros e abortos espontâneos.

Muitos fatores estão envolvidos:

  • O aumento do consumo de alimentos industrializados, ultra processados e refinados;
  • O consumo intenso de substâncias químicas artificiais (corantes, conservantes, aromatizantes, flavorizantes …) cada vez mais utilizado pela indústria alimentícia;
  • O consumo cada vez maior de contaminantes ambientais (xenobióticos): alumínio (panelas e desodorantes), mercúrio (através de amalgamas dentarias), plásticos (BPA…);
  • O consumo aumentado de alimentos ricos em substâncias com fatores antinutricionais (álcool, cafeína, açúcar, ácido fosfórico dos refrigerantes, entre outros);
  • O baixo consumo de frutas e verduras;
  • Redução das quantidades de vitaminas, minerais e fitoquímicos nos alimentos devido à alta produtividade das plantações e o esgotamento do solo, aliado ao uso de agrotóxicos.
  • Intolerâncias alimentares;
  • Uso abusivo de medicamentos (antiácidos, anti-inflamatórios, antibióticos…);
  • Estresse, sedentarismo, baixa qualidade do sono, baixa % de gordura e Obesidade;

A consequência de todas estas alterações são pessoas, com disbiose intestinal, inflamadas, alérgicas, subnutridas, cada vez mais cansadas, muitas vezes obesas ou com sobrepeso.

O raciocínio é simples: Somos formados por células, as células são formadas de nutrientes, estes nutrientes são obtidos através da ingestão de alimentos e, executam todas as funções do nosso organismo, inclusive de formar hormônios sexuais, óvulos e espermatozoides em quantidade e qualidade necessárias para reprodução.

Tudo começa no Intestino, que fica com a mucosa  lesionada ao entrar em contato com os xenobióticos, aditivos químicos, agrotóxicos, alimentos mal digeridos, medicamentos… e gera o que chamamos de Disbiose Intestinal, que nada mais é que um intestino debilitado ( com baixas quantidades de bactérias boas (microbioma alterado) e hiperpermeabilidade intestinal causado por uma ALIMENTAÇÃO  inadequada:  Isto gera INFLAMAÇÃO que associado ao excesso de gordura corporal, estresse , deficiência de nutrientes  libera substâncias inflamatórias (citocinas) gerando  um quadro de INFLAMAÇÃO CRÔNICA GENERALIZADA.

Os estudos mostram que esta inflamação é uma das principais causas de várias doenças:  imunológicas, cardíacas, diabetes, cânceres, endometriose, síndrome do Ovário Policístico e inclusive INFERTILIDADE masculina e feminina.  A genética define aonde o problema irá se instalar.

Quando a Inflamação instalada atua na liberação de hormônios sexuais a nível hipotalâmico e consequentemente afetando a secreção do LH (hormônio luteinizante) e do FSH (Hormônio folículo estimulante) tem efeito direto nos ovários e testículos podendo levar a infertilidade.

A estratégia nutricional para melhorar a Fertilidade deve ser personalizada, identificando as reais deficiências nutricionais (através de exames laboratoriais e sinais e sintomas clínicos), quais as principais atitudes/gatilhos que leva a disbiose intestinal e inflamação Crônica e atuar nas patologias pré existentes (Síndrome do ovário policístico, Endometriose, obesidade, anemia…) de forma sistêmica e personalizada.

Um plano alimentar para estimular a Fertilidade tanto masculina quanto feminina  deve ser:

  • Rica em frutas vegetais e fibras de preferência orgânicas ( Não a dietas lowcarb!!);
  • Retirar os alimentos processados e ultra processados;
  • Incluir probióticos e prebióticos;
  • Identificar as possíveis intolerâncias alimentares (é possível associar com sinais e sintomas ou fazer teste de intolerância alimentar tardia (IGg); ( muito comum intolerâncias a leite e derivados, glúten e ovos)
  • Incluir alimentos e/ou suplementos ricos em Zinco, ferro e vitaminas do complexo B, vitamina D …

Atitudes importantes que influenciam na fertilidade:

  • Identificar intoxicação por metais: alumínio, chumbo, mercúrio, cadmio através de exames de sangue;
  • Orientar formas de diminuir a ingestão e contato com os xenobióticos (desodorantes, plásticos das embalagens, orientar para não consumir alimentos quentes em recipientes plásticos ( ex comum : cafezinho em copinho plástico)…
  • Melhorar a qualidade do sono, com chás e fitoterápicos (camomila, mulungu, própolis) e nutrientes importantes para a formação da melatonina (triptofano, ômega 3, complexo B, Magnésio);
  • Estímulo a atividade física para os sedentários;
  • Equilíbrio das taxas de gordura corporal (cuidar para não ter um percentual de gordura muito baixo, nem muito alto a ponto de alterar a produção hormonal)

A atuação do nutricionista é fundamental para melhora da fertilidade!

 

Isabelle Alves (apaixonada por Nutrição, principalmente relacionado a fertilidade)

CRN8:2216
Nutricionista Clínica Funcional

facebook: nutricionista.isabelle.alves

instagram: @isabellenutri

Site: https://dietbox.me/pt-BR/nutri-curitiba-isabellealves

 

*O texto é de inteira responsabilidade do(a) autor(a) e não reflete a opinião da empresa. O blog é aberto caso outro(a) profissional queira escrever um contraponto.

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