Síndrome do Intestino Irritável – Como tratar?

Quem convive com a Síndrome do intestino irritável (SII) sabe o quanto essa condição de saúde impacta negativamente a qualidade de vida. Para quem não está familiarizado, a SII é uma desordem gastrointestinal comumente encontrada, causa dor ou desconforto abdominal, inchaço e hábitos intestinais alterados (diarréia, constipação ou uma combinação destes).

A incidência é alta em países ocidentais e afeta mais mulheres do que homens.

O tratamento dessa síndrome é um desafio para profissionais de saúde e pacientes. O exato  mecanismo por trás ainda não é muito bem esclarecido, sabe-se de um desbalanço no eixo cérebro- intestino, hipersensibilidade visceral, inflamação do trato gastrointestinal, alteração de microbiota e fatores psicológicos envolvidos.

COMO TRATAR?

Há guidelines em alguns países sobre o tratamento dietético da SII, incluindo aumento no consumo de fibras, redução de gordura, fracionamento em 6 refeições, etc. Uma nova opção de tratamento é a dieta com baixo FODMAPS (Oligosacarídeos, Dissacáridos, Monossacarídeos Fermentáveis e Polióis). Muitos alimentos populares e saudáveis têm um alto teor de FODMAP, como frutas, vegetais, produtos lácteos, grãos e edulcorantes, etc.

Os FODMAPs podem desencadear sintomas com base em dois mecanismos principais:

1 . A “hipótese do intestino delgado”: os FODMAPs são moléculas não absorvidas, osmoticamente ativas (carboidratos), que aumentam o teor de água intraluminal no intestino delgado. Isso leva à distensão e sintomas como inchaço e desconforto. O aumento da distensão também leva ao aumento no trânsito e má absorção.

2. A “hipótese do intestino grosso”: os FODMAPs chegam ao colon não absorvidos onde são rapidamente fermentados por bactérias colônicas. Isso causa flatulência, inchaço e desconforto através do aumento da produção de gás e distensão da parede do cólon.

Nesse contexto, um grande número de artigos tem mostrado efeitos positivos da dieta FODMAPs na melhora dos sintomas.

A dieta baixa em FODMAPS é extremamente restrita e envolve a exclusão de determinas alimentos por 4 a 6 semanas. Após esse período é esperado melhora dos sintomas.

Exemplos de alimentos ricos em FODMAPS que devem ser excluídos: maçãs, peras, pêssegos e melancias; cebolas, alho, abóbora e cogumelos; trigo e centeio; laticínios; malitol.

Além da exclusão de alimentos, terapias para manejo de estresse e probióticos devem ser considerados.

Após remissão dos sintomas, inicia-se o período de reintrodução. A reintrodução dos alimentos com alto teor de FODMAPs é tão importante quanto a sua exclusão, pois a retirada por longos períodos pode tornar o individuo intolerante, além de acarretar deficiências nutricionais.

A reintrodução deve respeitar a tolerância de cada paciente. É importante testar um grupo de cada vez (frutose, poliois, lactose, frutanos, sacarose..), evitando alimentos que contenham mais de um dos grupos. Essa fase é importante para determinar qual alimento ou nutriente é gatilho para os sintomas, isso varia de pessoa para pessoa.

Após a reintrodução de um alimento, deve-se voltar a dieta restrita por 2 a 3 dias para depois testar um novo alimento. A fase de testes é demorada e minuciosa o que garante uma saúde intestinal futura!

Procure um nutricionista capacitado para o seu tratamento!

Isabela Pires Loyola

Nutricionista

Nutrição Clínica – USP
Prevenção e Terapêutica Cardiovascular- InCor- FMUSP
Nutrição Esportiva- CEFIT
(62) 99225-0565

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