Transtorno por uso de Substâncias Psicoativas e Transtornos Alimentares

Os Transtornos Alimentares e a dependência por substâncias psicoativas se caracterizam por perturbações comportamentais que muitas vezes afetam a qualidade de vida do indivíduo. A associação de transtornos alimentares com o uso abusivo de drogas ainda é pouco estudado e assim há poucas publicações sobre esse tema, o que dificulta o tratamento do sujeito de forma integral.

Em estudos com mulheres com algum transtorno alimentar, a relação de abuso ou dependência de álcool variou de 12% a 39%. A relação entre bulimia e quadros de dependência de Substâncias Psicoativas é mais em evidência do que em relação à anorexia. A porcentagem de mulheres com bulimia que relataram abuso ou dependência de álcool variou de 2,9% a 48,6%.

A compulsão alimentar em pacientes que possuem uma dependência química e estão trabalhando a abstinência é influenciada pela substituição de uma droga ilícita (na maioria das vezes) por outra lícita, ou seja, a substituição das drogas, tais como maconha, cocaína e crack pelo açúcar e alimentos que tenha como base este ingrediente, os chamados alimentos mais palatáveis.

Essa busca de prazer na comida ocorre no mesmo sistema de atuação das drogas no sistema dopaminérgico. O estímulo relacionado ao aumento de Dopamina retém um sentido motivacional e emocional anormal, que ocasiona a busca obsessiva e excessiva à droga, caracterizando um comportamento de adição. A alimentação exerce um papel similar à droga psicotrópica pelo prazer que traz para as pessoas, já que esta age no mesmo sistema de recompensa.

O sistema de recompensa se caracteriza pela busca de alimentos com maior palatabilidade, ou seja, maior quantidade de açúcar e de gordura desregulando o processo de fome e saciedade. Alguns indivíduos acabam sempre buscando por alimentos com essas características na busca do prazer momentâneo, o que pode acarretar em excesso de peso.

Os estudos nacionais que avaliam a prevalência de Transtorno de Compulsão Alimentar Periódica (TCAP) e Bulimia Nervosa (BN) são escassos. No Brasil, ainda não se tem conhecimento de estudos populacionais que tenham avaliado a prevalência de TCAP dentro dos critérios diagnósticos estabelecidos. Um dos maiores empecilhos no diagnóstico de transtorno alimentar (TA) é a vergonha, o medo e negação dos usuários quando questionados. É observado que uma grande parte das pessoas que possuem algum tipo de TA não se veem como alguém que possui algum comportamento de risco para sua saúde, mesmo se questionados sobre comportamentos duvidosos e anormais quanto à alimentação. Assim é importante atentar para essas substituições que muitas vezes não são vistas, o atendimento multidisciplinar é fundamental.

 

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Fonte utilizada: Modalidades de tratamento e encaminhamento: módulo 6. – 11. ed. – Brasília : Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas, 2017. 144 p. – (SUPERA: Sistema para detecção do Uso abusivo e dependência de substâncias Psicoativas: Encaminhamento, intervenção breve, Reinserção social e Acompanhamento/Organizadoras Paulina do Carmo Arruda Vieira Duarte, Maria Lucia Oliveira de Souza Formigoni)

 

Cássia Medino Soares – CRN 2 11057

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