A hipercolesterolemia, caracterizada pelo aumento dos níveis de colesterol no sangue, tornou-se uma preocupação global de saúde. Compreender a hipercolesterolemia, o que é, suas causas, riscos associados e estratégias de tratamento é essencial para promover uma vida saudável.
Neste contexto, vamos discutir a fundo sobre a hipercolesterolemia, citando desde os tipos existentes até medidas preventivas para evitar e tratar suas complicações.
O que é Hipercolesterolemia?
A hipercolesterolemia é uma condição em que os níveis de colesterol no sangue estão elevados, podendo aumentar o risco de doenças cardiovasculares. O colesterol, uma substância gordurosa essencial para o funcionamento do corpo, pode se acumular em excesso, formando placas nas artérias e prejudicando o fluxo sanguíneo.
Quais são os tipos de Hipercolesterolemia
Existem diversos distúrbios envolvendo o metabolismo de lipoproteínas e outras lipidemias, como a Hipercolesterolemia (CID E78), sendo comum a Hipercolesterolemia Familiar e a Hipercolesterolemia Isolada.
Hipercolesterolemia Familiar
É uma condição genética transmitida de geração em geração, onde cerca de 85% dos homens e 50% das mulheres correm o risco de sofrer um evento coronariano antes de atingirem os 65 anos, caso não recebam o tratamento adequado.
Hipercolesterolemia Isolada
Também conhecida como hipercolesterolemia pura (CID E78.0), ocorre devido a fatores ambientais e hábitos de vida. Neste caso, é diagnosticado a partir do aumento isolado da LDL-c (lipoproteínas de baixa densidade), popularmente conhecido como “gordura ruim”.
Quais as principais causas da Hipercolesterolemia
As causas da hipercolesterolemia podem variar, mas fatores genéticos desempenham um papel significativo, especialmente na Hipercolesterolemia Familiar. Além disso, fatores ambientais como dietas ricas em gorduras saturadas e trans, falta de exercícios, obesidade e tabagismo são elementos que contribuem para o aumento dos níveis de colesterol.
Quais os sinais e sintomas da Hipercolesterolemia?
A hipercolesterolemia é uma condição silenciosa, muitas vezes não apresentando sintomas evidentes. No entanto, em estágios avançados, podem ocorrer sinais clínicos a presença de xantomas tendíneos, o arco corneano e o desenvolvimento de doença aterosclerótica cardiovascular (DASCV).
Como é feito o diagnóstico de Hipercolesterolemia?
O diagnóstico preciso da hipercolesterolemia envolve exames específicos para medir os níveis de colesterol no sangue. Os principais exames incluem o perfil lipídico, que avalia os níveis de colesterol total, HDL, LDL e triglicerídeos.
Além disso, para hipercolesterolemia familiar o diagnóstico também pode ser feito a partir de uma triagem genética, a qual é recomendada somente para o indivíduo com suspeita da condição. Se o resultado for positivo, a extensão desse teste deve abranger seus familiares de primeiro grau.
Em caso de confirmação positiva, uma triagem em cascata deve ser conduzida nos demais membros da família, incluindo parentes de segundo e terceiro graus.
Quais exames solicitar para identificar a hipercolesterolemia e seus valores bioquímicos?
Para determinar a presença da hipercolesterolemia, é fundamental solicitar o perfil lipídico regularmente. No caso da Hipercolesterolemia pura (CID E78.0), o diagnóstico é feito a partir do aumento isolado do LDL-c (LDL-c ≥ 160 mg/dL).
Já para o diagnóstico de Hipercolesterolemia Familiar (HF) deve ser considerado em adultos (≥ 20 anos) que apresentam níveis de LDL-c ≥ 190 mg/dl. Na população em geral, a probabilidade de ter a doença é aproximadamente 80% para aqueles com LDL-c ≥ 250 mg/dl aos 30 anos ou mais, ou LDL-c ≥ 220 mg/dl entre 20 e 29 anos, ou LDL-c ≥ 190 mg/dl em indivíduos com menos de 20 anos.
Além disso, o diagnóstico de HF é mais provável em indivíduos com LDL-c ≥ 190 mg/dl cujas famílias exibem uma distribuição bimodal do LDL-c, onde alguns membros apresentam níveis tipicamente baixos (LDL-c < 130 mg/dl), enquanto outros (aqueles afetados pela HF) demonstram níveis tipicamente elevados, ≥ 190 mg/dl.
Qual o tratamento para Hipercolesterolemia?
O tratamento da hipercolesterolemia geralmente envolve mudanças no estilo de vida, como adoção de uma dieta saudável, prática regular de exercícios e abandono do tabagismo. Em casos mais graves, medicamentos, como estatinas, podem ser prescritos para reduzir os níveis de colesterol.
Apesar dos casos de hipercolesterolemia familiar, que não tem cura, a adesão correta ao tratamento colabora com a diminuição do risco de desenvolvimento de doenças cardiovasculares.
Como prevenir a Hipercolesterolemia?
Prevenir a hipercolesterolemia envolve hábitos saudáveis, como manter uma dieta balanceada, rica em fibras e pobre em gorduras saturadas e trans. Além disso, a prática regular de exercícios físicos e a cessação do tabagismo são medidas cruciais.
Evitar alimentos processados e priorizar alimentos ricos em ácidos graxos ômega-3 pode contribuir para manter os níveis de colesterol sob controle.
Quais alimentos o paciente com hipercolesterolemia deve evitar?

- Controle do Consumo de Colesterol: Limitar o consumo diário de colesterol alimentar a menos de 300 mg. Exemplo: Opte por cortes magros de carne, aves sem pele e aumente o consumo de peixes ricos em ácidos graxos ômega-3.
- Restrição de Ácidos Graxos Saturados: Manter o consumo de ácidos graxos saturados abaixo de 7% do Valor Calórico Total (VCT). Exemplo: Substitua gorduras saturadas por fontes mais saudáveis, como azeite de oliva extra virgem, abacate e oleaginosas.
- Evitar Ácidos Graxos Palmítico e Mirístico: Reduzir o consumo de ácido palmítico e mirístico para controlar o colesterol total e o LDL colesterol. Exemplo: Opte por óleos vegetais mais saudáveis, como o óleo de canola, em vez de óleos ricos em ácidos graxos saturados.
- Incluir Ácidos Graxos Monoinsaturados: Manter o consumo de ácidos graxos monoinsaturados abaixo de 20% do VCT, incluindo uma dieta rica em frutas, vegetais, grãos, carnes magras e laticínios desnatados.Exemplo: Adicione abacates, nozes e azeite de oliva na dieta diária.
- Evitar Ácidos Graxos Trans: Reduzir o consumo de ácidos graxos trans para controlar o colesterol total, LDL-c, e aumentar o HDL-c. Exemplo: Evitar alimentos processados que contenham gorduras trans, como margarinas industrializadas.
- Incluir Fitosteróis na Dieta: Consumir diariamente 2 g de fitosteróis para diminuir o LDL-c. Exemplo: Podem ser encontrados em alimentos ricos em lipídios como nozes, amendoins, sementes de gergelim, além de legumes, frutas e grãos, em geral.
- Aumentar o Consumo de Fibra Solúvel: Priorizar alimentos ricos em fibra solúvel para reduzir o LDL-c. Exemplo: Inclua aveia, feijões, maçãs e peras na dieta diária.
- Moderação no Consumo de Ovos e Alimentos Ricos em Colesterol: Modere o consumo de ovos e alimentos fontes de colesterol. Exemplo: Opte pelo consumo de ovos cozidos ou mexidos eventualmente, e escolha cortes magros de carne.
- Restrição de Ácidos Graxos Poli-insaturados: Manter o consumo de ácidos graxos poli-insaturados abaixo de 10% do VCT. Exemplo: Prefira peixes ricos em gorduras boas, como salmão e truta, para obter ácidos graxos poli-insaturados benéficos.
- Cautela com Coco e Óleo de Coco: Não recomenda-se o coco e óleo de coco para tratamento da hipercolesterolemia. Estudos adicionais são necessários para orientar seu uso em outras alterações metabólicas. Exemplo: Opte por outras fontes de óleo, como o azeite de oliva, para cozinhar.
- Integrar Proteína de Soja na Dieta: Substituir a proteína animal pela proteína de soja para melhor controle dos níveis de lipídios plasmáticos. Exemplo: Inclua tofu, soja texturizada e leite de soja em substituição a produtos de origem animal.
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Conclusão
Em conclusão, a hipercolesterolemia é uma condição séria que requer atenção e cuidados específicos. Compreender suas causas, realizar diagnósticos regulares e adotar medidas preventivas são passos cruciais para garantir uma vida saudável.
A abordagem integrada, envolvendo mudanças no estilo de vida e, quando necessário, tratamento medicamentoso, é fundamental para controlar a hipercolesterolemia e prevenir complicações cardiovasculares.
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