A obesidade é um problema de saúde pública global que afeta milhões de pessoas em todo o mundo. No Brasil, a obesidade deverá atingir 30% da população adulta no ano de 2030, preocupando os órgãos de saúde locais. Para entender a gravidade da obesidade e avaliar o risco associado a ela, os profissionais de saúde utilizam diferentes graus de obesidade, ou seja, classificações baseadas no Índice de Massa Corporal (o famoso “IMC”). Vamos entender melhor sobre os graus de obesidade, e como calcular, a seguir.
O que é o IMC?
Criado por um matemático, o Índice de Massa Corporal é uma medida simples que relaciona o peso e a altura de uma pessoa, auxiliando a identificar se o indivíduo apresenta o peso ideal, segundo sua própria classificação. O IMC pode apontar baixo peso, eutrofia (ou seja, peso adequado), sobrepeso ou obesidade (entre elas, obesidade grau 1, obesidade grau 2, obesidade grau 3 e obesidade grau 4).
A fórmula para calcular o IMC é a seguinte:
IMC = peso (em quilogramas) / (altura em metros)²
Por exemplo, uma pessoa que mede 1,70 m e pesa 60 kg, apresenta um IMC = 20,76 kg/m². Com essa classificação, esse paciente seria considerado eutrófico, ou seja, com o peso ideal para a sua altura.
Quais são as classificações do IMC?
Para a classificação do estado antropométrico de adultos, a Organização Mundial da Saúde traz os seguintes pontos de corte:
- IMC <18,5kg/m², considera-se baixo peso;
- IMC >18,5 até 24,9kg/m², considera-se peso adequado;
- IMC ≥25 até 29,9kg/m², considera-se sobrepeso;
- IMC >30kg/m², considera-se obesidade.
Quais são os níveis de obesidade?
Se você vive se questionando sobre “E a obesidade grau 1, quantos quilos se considera?“ ou “A obesidade mórbida é considerada a partir de quantos kg pela altura?”. Agora você vai compreender sobre como funcionam os diferentes graus de obesidade. Vamos lá?
Com base no valor resultante do IMC, a obesidade é geralmente dividida em quatro graus:
Obesidade Grau 1 (IMC = 30-34,9 kg/m²):
Neste estágio, a pessoa é classificada como tendo obesidade leve a moderada. O excesso de peso nessa categoria pode aumentar o risco de desenvolver diversas condições de saúde, como diabetes tipo 2, doenças cardiovasculares e apneia do sono.
Obesidade Grau 2 (IMC = 35-39,9 kg/m²):
Este é um estágio mais avançado da obesidade, caracterizado por um aumento significativo do risco de complicações de saúde. As mesmas doenças associadas à obesidade grau 1 são mais comuns e podem também ser mais graves nessa categoria.
Obesidade Grau 3 (IMC = 40-49,9 kg/m²):
Também conhecida como obesidade mórbida, essa categoria representa um risco muito elevado para a saúde. As complicações incluem diabetes grave, hipertensão arterial, problemas cardíacos, apneia do sono grave e problemas nas articulações.
Obesidade Grau 4 (IMC ≥ 50 kg/m²):
Esta é a forma mais grave de obesidade, também chamada de obesidade extrema ou superobesidade. As complicações de saúde são extremamente severas e podem incluir insuficiência cardíaca, dificuldade respiratória grave, diabetes grave e limitações significativas na qualidade de vida.
Quais são as principais causas da obesidade?
A obesidade é uma condição multifatorial, ou seja, diversas causas podem contribuir para o seu desenvolvimento ao longo do tempo. Inclusive, geralmente, a obesidade resulta da interação complexa dessas causas, e como qualquer condição complexa, podem variar de paciente para paciente.
Entre as principais causas da obesidade, podemos citar a má alimentação, com alto consumo de alimentos ultraprocessados, ricos em açúcares, gorduras saturadas e sódio.
Combinada ao sedentarismo crônico, uma alimentação desbalanceada pode gerar o que chamamos de desequilíbrio calórico, ou seja, quando um indivíduo ingere mais calorias do que gasta, o que leva ao ganho de peso.
Normalmente, a obesidade está relacionada a um “ambiente obesogênico”, ou seja, um cenário social que facilita o acesso a alimentos não saudáveis e desencorajam o consumo de uma dieta equilibrada e a prática de exercícios físicos, como bairros e cidades com falta de opções de alimentos saudáveis e falta de espaços para atividades ao ar livre.
Além do mais, é possível considerar como causas da obesidade os fatores genéticos, que levam alguns indivíduos a apresentarem predisposição para o ganho de peso; psicossociais, como estresse, depressão e ansiedade, que podem gerar excessos alimentares; sociais e econômicos, que podem influenciar negativamente as escolhas alimentares; e endócrinos, como o hipotireoidismo e a síndrome dos ovários policísticos, que podem contribuir para o aumento de peso.
Certas medicações de uso contínuo, como corticosteroides, antidepressivos e antipsicóticos também podem contribuir para o ganho de peso, sendo um efeito colateral bastante comum.
Para prevenir ou tratar a obesidade de forma eficaz, é essencial abordar essas causas de maneira individualizada, com a orientação de profissionais de saúde especializados, como médicos nutrólogos, nutricionistas e psicólogos. O tratamento da obesidade geralmente envolve mudanças no estilo de vida, como uma alimentação equilibrada e a prática regular de exercícios, bem como o tratamento de fatores subjacentes, como distúrbios clínicos ou psicológicos.
Já a cirurgia bariátrica, é recomendada apenas para indivíduos obesos com IMC acima de 40, ou seja, que apresentam obesidade grau 3. Ou, ainda, pessoas que tenham IMC acima de 35 (obesidade grau 2) que tenham doenças associadas, como diabetes, dislipidemias, hipertensão, hérnia de disco, esteatose hepática (gordura no fígado), entre outras. Quem decidirá a necessidade, ou não, do procedimento é toda a equipe médica do paciente, além, é claro, dele próprio.
Quais são os riscos da obesidade?
Conforme pontuamos acima, a obesidade é uma condição clínica crônica que tem se tornado um dos mais graves problemas de saúde pública, afinal, além de afetar a qualidade de vida, a mobilidade e a longevidade, também é fator de risco para diversas outras complicações na saúde física, incluindo:
- Doenças cardiovasculares: a obesidade aumenta significativamente o risco de doenças cardíacas, incluindo hipertensão arterial (pressão alta), doença coronariana, acidente vascular cerebral (AVC) e insuficiência cardíaca;
- Diabetes tipo 2: também é um fator de risco importante para o desenvolvimento do diabetes, uma condição em que o corpo não consegue regular adequadamente os níveis de glicemia (açúcar no sangue);
- Apneia do sono: a obesidade pode levar a distúrbios respiratórios do sono, associados a interrupções durante o descanso, podendo resultar em sonolência diurna excessiva e problemas de concentração e foco;
- Doenças respiratórias: a obesidade aumenta o risco de doenças respiratórias, como asma e síndrome da hipoventilação da obesidade (SHO), que pode levar à insuficiência respiratória;
- Problemas musculoesqueléticos: o excesso de peso coloca pressão adicional nas articulações, o que pode levar a condições como osteoartrite, dor nas costas e problemas de mobilidade;
- Distúrbios metabólicos: a obesidade está associada a distúrbios metabólicos, incluindo dislipidemia (níveis anormais de lipídios no sangue) e esteatose hepática não alcoólica (acúmulo de gordura no fígado);
- Câncer: estudos demonstram que a obesidade está relacionada ao aumento do risco de câncer, incluindo câncer de mama, cólon, rim, esôfago, entre outros;
- Problemas de fertilidade: a obesidade pode afetar a fertilidade em homens e mulheres, dificultando a concepção;
- Problemas psicológicos: a obesidade também pode ter um impacto significativo na saúde mental, contribuindo para a depressão, baixa autoestima e problemas de aceitação da imagem corporal;
- Complicações na gestação: pessoas gestantes obesas enfrentam um maior risco de complicações durante a gravidez, como diabetes gestacional, hipertensão e parto prematuro;
- Problemas gastrointestinais: a obesidade pode aumentar o risco de refluxo gastroesofágico, o aparecimento de gastrite e úlceras, além da doença do fígado gorduroso não alcoólico;
- Doenças renais: a obesidade está associada a um maior risco de doenças renais, incluindo pedras nos rins e doença renal crônica.
A boa notícia é que a perda de peso, mesmo quando moderada, pode reduzir significativamente esses riscos à saúde. A abordagem mais eficaz para o tratamento da obesidade geralmente envolve mudanças sustentáveis no estilo de vida, melhorando a relação com uma alimentação saudável e com a prática de exercícios físicos.
O IMC é uma classificação confiável?
É importante compreender que o IMC é uma ferramenta de triagem amplamente utilizada, mas não deve ser a única considerada ao avaliar a saúde de um indivíduo. Outros fatores, como composição corporal, distribuição de gordura, nível de massa muscular, taxa de hidratação e histórico clínico, também são relevantes. Sendo assim, é fundamental que uma pessoa que esteja preocupada com baixo peso, sobrepeso ou obesidade, consulte um nutricionista, a fim de realizar uma avaliação abrangente e receber orientações personalizadas sobre como gerenciar sua condição de saúde.
Além disso, é essencial reconhecer que a obesidade é uma condição complexa com várias causas, e o tratamento pode envolver mudanças no estilo de vida, dieta, exercício, terapia comportamental e, em alguns casos, intervenções médicas ou cirúrgicas. O tratamento eficaz dos diferentes graus de obesidade requer um plano individualizado e o apoio de profissionais de saúde qualificados.



