A manutenção da saúde demanda uma alimentação equilibrada, ressaltando a relevância da vitamina A. Sua escassez pode levar à hipovitaminose A, uma condição que exige nossa atenção e cuidado.
Visto isso, vamos explorar o seu significado, as doenças causadas pela falta de vitamina A, sintomas, consequências e, sobretudo, como enfrentá-la.
O que é hipovitaminose A?
A hipovitaminose A é uma condição decorrente da carência de vitamina A no organismo. Essa vitamina desempenha funções essenciais na saúde ocular, fortalecimento do sistema imunológico, integridade epitelial, além de regular e modular o crescimento e a diferenciação celular. (1)
Mundialmente, a carência de vitamina A ocupa a segunda posição entre os desafios nutricionais, sendo um problema presente até em países desenvolvidos, ficando atrás apenas da deficiência de ferro, que é mais prevalente. (1)
No Brasil, com o objetivo de reduzir e controlar a hipovitaminose A, a mortalidade e a morbidade, é prevista a suplementação de Vitamina A no calendário vacinal em crianças de 6 a 59 meses. (2)
Nesse contexto, é administrado a megadose de vitamina A que serve como medida profilática para sua carência nutricional e, consequentemente, para as doenças causadas pela falta de vitamina A. (2)
Entendendo a importância da vitamina A no organismo

A vitamina A desempenha um importante papel na renovação do pigmento visual, na preservação das membranas mucosas e no fortalecimento da função imunológica. (3)
É interessante entender que diversas substâncias possuem atividade biológica da vitamina A, incluindo a vitamina A pré-formada, presente em alimentos de origem animal na forma de retinóides, e as provitaminas, como os pigmentos carotenóides predominantes em vegetais de tonalidades amarelas, alaranjadas ou vermelhas.
O termo “vitamina A” se refere especificamente aos retinóides que possuem uma estrutura cíclica específica (beta-ionona), sendo estes nas formas de retinol todo-trans, o retinal, o éster de retinila e o ácido retinóico.(1)
Nos dias de hoje, diversas pesquisas têm evidenciado que determinados carotenóides exibem atividade antioxidante, desempenhando um papel anticâncer. (1)
Causas da hipovitaminose A, quais são?
Em regiões com recursos limitados, a desnutrição e infecções gastrointestinais crônicas contribuem para deficiências recorrentes de vitamina A.
Essa deficiência é agravada principalmente em crianças, que muitas vezes é acompanhada pela escassez simultânea de zinco, necessária para a absorção da vitamina.
A concentração de vitamina A no leite materno, embora vital, muitas vezes atende apenas às necessidades diárias mínimas, resultando em deficiência após o desmame. (3)
Em contrapartida, em países mais desenvolvidos, patologias pancreáticas, hepáticas e intestinais são as principais causas de deficiência de vitamina A.
A doença inflamatória intestinal, associada a redução na ingestão oral, também contribui para esse cenário desafiador. Ambos os casos evidenciam a complexidade global dos desafios nutricionais. (3)
Quais os sintomas da hipovitaminose A?
A evolução natural da hipovitaminose A crônica revela-se predominantemente com o surgimento gradual de sintomas da hipovitaminose A, sendo a cegueira noturna o indicativo inicial.
Conforme a deficiência progride, observa-se um aumento na incidência de infecções gastrointestinais, pulmonares e urinárias, acompanhado do desenvolvimento de condições cutâneas como xerodermia (pele seca) e frinodermia (hiperqueratose folicular frequentemente encontrada em áreas como superfícies extensoras, ombros e nádegas).(3)
À medida que a carência de vitamina A se agrava, surgem sinais específicos, como manchas de Bitot (lesões com formato variável, normalmente triangular, localizada conjuntiva bulbar temporal e nasal (4)) e xerose conjuntival (processo de espessamento e enrijecimento, perda de brilho e transparência da superfície conjuntival (4)).
Em estágios avançados, a deficiência de vitamina A manifesta-se como xerose da córnea, ulceração corneana e, eventualmente, ceratomalácia (alteração na córnea devido a cicatrização após úlceras), resultando em cicatrizes na córnea e, em última instância, cegueira.
É importante notar que, em contextos de infecções, especialmente sarampo, a deficiência aguda de vitamina A pode levar à xerose e ulceração da córnea mesmo sem a precedência de cegueira noturna ou manchas de Bitot.
Além disso, a frinodermia, uma forma de hiperqueratose folicular, também pode ser observada na hipovitaminose A, embora esteja associada a outras deficiências nutricionais. (3)
Quais as consequências da hipovitaminose A?
A hipovitaminose A pode acarretar consequências sérias para a saúde, incluindo danos irreversíveis à visão, maior susceptibilidade a infecções e comprometimento do crescimento e desenvolvimento, especialmente em crianças.
A deficiência prolongada pode levar a condições graves e até mesmo à morte. As estimativas globais de deficiência de vitamina A em crianças pequenas estão em declínio, mas ainda são aproximadamente de 30% em crianças com menos de 5 anos, contribuindo para cerca de 2% de todas as mortes nessa faixa etária. (3)
Como a hipovitaminose A é diagnosticada?
O diagnóstico clínico de deficiência de vitamina A geralmente se baseia em observações de exames clássicos e testes laboratoriais confirmatórios. A detecção de xeroftalmia é um forte indicativo, sendo uma característica quase exclusiva da deficiência de vitamina A.
O profissional de saúde pode requisitar testes de retinol sérico para pacientes cuja história clínica e exame físico apresentem sinais menos evidentes, sendo considerada deficiência quando os níveis estão abaixo de 20 microgramas/dL. (3)
Tratamentos para hipovitaminose A
A suplementação de vitamina A é uma abordagem comum para tratar a hipovitaminose A. (3) Essa terapia visa restabelecer os níveis adequados de vitamina no organismo. No entanto, é essencial que qualquer tratamento seja supervisionado por um profissional de saúde, uma vez que também existem doenças causadas pelo excesso de vitamina A.
Níveis de retinol no sangue abaixo de 20 microgramas/dL indicam deficiência. Pacientes cujas concentrações ultrapassem os 30 microgramas/dL não apresentam benefícios com a suplementação e devem aderir à dose dietética recomendada. (3)
Suplementação
A administração de suplementos de vitamina A é uma forma eficaz de combater a hipovitaminose A. No entanto, a dosagem deve ser cuidadosamente monitorada para evitar efeitos colaterais prejudiciais.
Existem diferentes condutas de acordo com o perfil do público, que envolve faixa etária, região e condições específicas, como gestação, pacientes pós-bariátricos e os neonatos. Em casos de má absorção, deve ser considerada a administração intramuscular. (3)
A megadose de vitamina A, que serve para tratar essa condição, deve ser realizada sob a supervisão de profissionais de saúde, pois existem doenças causadas pelo excesso de vitamina A em decorrência de sua toxicidade, afetando os sistemas neurológico, hepatobiliar, musculoesquelético, além da pele e membranas mucosas.
O consumo de vitamina A pré-formada em excesso, comumente encontrada em suplementos, também está frequentemente associada a hipercalcemia (excesso de cálcio), o que pode prejudicar a saúde óssea. (5)
Vitamina A no calendário vacinal: importância e estratégias
A inclusão da vitamina A no calendário vacinal é essencial para abordar essa deficiência em populações vulneráveis. Estratégias consiste na suplementação da megadose de vitamina A que serve como medida profilática para garantir a proteção contra a hipovitaminose A.
No Brasil, em 2023, foi prevista a suplementação da vitamina A pelo Sistema Único de Saúde em 5,7 milhões de crianças. (2)
Qual a quantidade diária ideal de vitamina A para consumo?

É crucial manter um equilíbrio na ingestão de alimentos com vitamina A, evitando tanto a deficiência quanto o excesso. A quantidade diária recomendada varia conforme a idade e o sexo.
O Institute of Medicine (IOM) recomenda uma ingestão diária recomendada (RDA) de vitamina A de 700 microgramas/dia para mulheres e 900 microgramas/dia para homens, considerando adultos saudáveis.
Para crianças, mulheres grávidas e lactantes, as RDAs variam de 300 a 900, 770 e 1.300 microgramas/dia, respectivamente. O requisito mínimo para prevenir a deficiência de vitamina A sintomática em crianças de 1 a 5 anos é de aproximadamente 200 microgramas/dia.
Os níveis séricos de retinol servem como indicador confiável do estado nutricional da vitamina A, sendo a deficiência definida por uma concentração de retinol inferior a 20 microgramas/dL. (3)
Alimentos ricos em vitamina A
A ingestão inadequada e a absorção deficiente resultam em deficiência de vitamina A, prejudicando processos fisiológicos essenciais. Fontes naturais ricas em vitamina A incluem alimentos como vegetais de folhas verdes escuras e frutas, vegetais de cor amarelo-alaranjados, laticínios, fígado e peixe, além de alimentos fortificados.
O Encorajamento para horticultura também é indicado, uma vez que a produção doméstica de frutos ricos em carotenos aumentará também a ingestão de outros nutrientes. (1) (3)
A vitamina A é absorvida no duodeno após ser quebrada por enzimas do pâncreas e intestinais, sendo emulsionada com gorduras alimentares e ácidos biliares.
A maior parte é então armazenada nas células do fígado, enquanto quantidades consideráveis são depositadas no tecido adiposo e no pâncreas. (3)
Conclusão
A hipovitaminose A é uma condição séria que pode ser prevenida e tratada com informações adequadas sobre alimentação e suplementação. Reconhecer os sintomas da hipovitaminose A, buscar diagnóstico e tratamento precoces, e manter uma dieta equilibrada são passos essenciais para garantir a saúde e prevenir as doenças causadas pela falta de vitamina A.
Lembre-se de que o acompanhamento profissional é crucial ao considerar suplementos, evitando assim doenças causadas pelo excesso de vitamina A. Priorize a saúde ocular, imunológica e o bem-estar geral, incorporando os alimentos com Vitamina A e mantendo um estilo de vida saudável.
Referências:
- Biodisponibilidade de nutrientes / organização Silvia Maria Franciscato Cozzolino. 6. ed., atual. e ampl. Barueri [SP] : Manole, 2020.
- Suplementação de vitamina A no SUS deve beneficiar 5,7 milhões de crianças em 2023 [Internet]. Ministério da Saúde. 2023 [cited 2024 Mar 9]. Available from: https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/noticias/2023/junho/suplementacao-de-vitamina-a-no-sus-deve-beneficiar-5-7-milhoes-de-criancas-em-2023
- Hodge C, Taylor C. Vitamin A Deficiency [Internet]. Nih.gov. StatPearls Publishing; 2023 [cited 2024 Mar 9]. Available from: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/books/NBK567744/
- Sardinha V. A deficiência de Vitamina A e a Xeroftalmia. Xeroftalmia [Internet]. Mundo Educação. Mundo Educação; 2019 [cited 2024 Mar 9]. Available from: https://mundoeducacao.uol.com.br/biologia/a-deficiencia-vitamina-a-xeroftalmia.htm#:~:text=A%20xerose%20da%20conjuntiva%20%C3%A9,conjuntiva%20bulbar%20temporal%20e%20nasal.
- Saif Munther Borgan, Leila Zeinab Khan, Makin V. Hypercalcemia and vitamin A: A vitamin to keep in mind. Cleveland Clinic Journal of Medicine [Internet]. 2022 Feb 1 [cited 2024 Mar 9];89(2):99–105. Available from: https://www.ccjm.org/content/89/2/99.long



