A vitamina D, muitas vezes chamada de “vitamina do sol”, desempenha um papel crucial em diversas funções do corpo humano. No entanto, a hipovitaminose D (CID E55), ou deficiência de vitamina D, tornou-se um problema crescente em diferentes partes do mundo. Visto isso, abordaremos sobre essa deficiência, suas causas, sintomas e os perigos da falta de vitamina D na saúde, com um foco especial nas considerações da hipovitaminose D pela SBP (Sociedade Brasileira de Pediatria), e se realmente a falta de vitamina D engorda.
O que é Hipovitaminose D?
A hipovitaminose D (CID E55) é uma condição caracterizada pela insuficiência de vitamina D no organismo. Essa vitamina desempenha um papel vital na absorção de cálcio e fósforo, essenciais para a saúde óssea. Quando os níveis estão abaixo do ideal (Vitamina D abaixo de 20ng/mL), a capacidade do corpo de absorver esses minerais é comprometida, levando a uma série de complicações.
Quais as causas da hipovitaminose D?
Existem diversas razões para a hipovitaminose D em adultos ou crianças, sendo a exposição solar inadequada uma das principais. A vitamina D é única, pois nosso corpo pode produzi-la quando a pele é exposta à luz solar. No entanto, fatores como uso excessivo de protetor solar, pouca exposição ao sol e condições climáticas desfavoráveis podem contribuir para a deficiência.
Outras causas incluem dieta pobre em alimentos ricos em vitamina D, problemas de absorção intestinal e certas condições médicas que afetam a conversão da vitamina D em sua forma ativa.
Principais sintomas da falta de vitamina D
A hipovitaminose D (CID E55) pode se manifestar de várias formas, com os seguintes sintomas sendo indicativos da deficiência:
- Fadiga excessiva:
A falta de vitamina D causa desânimo, uma vez que a fadiga persistente é um sintoma comum desta deficiência. Indivíduos com baixos níveis dessa vitamina muitas vezes se queixam de cansaço constante, mesmo após períodos adequados de descanso.
- Dores musculares e fraqueza:
A vitamina D desempenha um papel crucial na saúde muscular. A falta dela pode resultar em dores musculares crônicas e fraqueza, afetando a qualidade de vida.
- Problemas ósseos:
A relação entre vitamina D e saúde óssea é bem estabelecida. A deficiência pode levar a problemas como osteoporose e raquitismo, especialmente em crianças em fase de crescimento.
- Depressão ou alterações no humor:
Estudos sugerem uma ligação entre a falta de vitamina D causa desânimo e condições de saúde mental, incluindo depressão. A regulação dos níveis de vitamina D pode desempenhar um papel no equilíbrio emocional.
- Diminuição da imunidade:
A vitamina D também desempenha um papel vital no sistema imunológico. A deficiência pode resultar em uma imunidade comprometida, tornando o organismo mais suscetível a infecções.
Impacto da hipovitaminose D na saúde das crianças
Os perigos da falta de vitamina D são especialmente preocupantes em crianças em crescimento. A vitamina desempenha um papel fundamental na formação e fortalecimento dos ossos, sendo essencial para o desenvolvimento saudável. Crianças com deficiência de vitamina D estão em risco de desenvolver raquitismo, que em bebês pode resultar em crânio macio e atrasos no desenvolvimento motor. Crianças de um a quatro anos podem apresentar crescimento ósseo irregular, levando a problemas como escoliose e pernas arqueadas. A deficiência grave de vitamina D nessas idades pode causar dor ao andar e contribuir para a formação de pernas arqueadas ou joelhos próximos. Uma orientação para hipovitaminose D pela SBP em casos de raquitismo, é a investigação da ingestão insuficiente de cálcio, incluindo causas mais comuns, como a deficiência ou resistência à vitamina D e a presença de hipofosfatemia. Desta forma, para tratar a hipovitaminose D segundo a SBP, é aconselhável administrar suplementos de cálcio em pacientes diagnosticados com raquitismo ou naqueles cuja ingestão de cálcio seja inadequada. Além disso, existe relação entre a hipovitaminose D e o desenvolvimento de asma severa na infância.
Obesidade e hipovitaminose D: qual a relação?
Pode existir o questionamento se a falta de vitamina D engorda. Na realidade, existem estudos que indicam que a obesidade pode sim estar relacionada à hipovitaminose D em adultos. O motivo seria pelo fato da gordura corporal funcionar como um reservatório para a vitamina D, reduzindo sua biodisponibilidade sérica. Isso significa que, mesmo que uma pessoa obesa esteja exposta ao sol e consuma vitamina D suficiente, sua condição pode limitar a eficácia dessa vitamina no organismo, aumentando o risco de deficiência.
Desta forma, conclui-se que a gestão nutricional da obesidade revela-se como a principal chave para atingir níveis ideais de vitamina D. Essa abordagem não apenas busca a melhoria de fatores hormonais, mas também visa otimizar a resposta à glicemia, modular a microbiota intestinal e promover mudanças na composição corporal são estratégias cruciais na busca pela vitamina D adequada. Isso significa que não necessariamente a falta de vitamina D engorda, mas que estar acima do peso pode levar a hipovitaminose D, e consequentemente prejudicando na promoção da saúde.
Como diagnosticar a hipovitaminose D?
O diagnóstico da hipovitaminose D em adultos geralmente envolve a realização de exames de sangue para medir os níveis de vitamina D abaixo de 20 ng/mL no organismo. Os resultados desses testes ajudam os profissionais de saúde a determinar a gravidade da deficiência e a desenvolver um plano de tratamento adequado.
De acordo com a Sociedade Brasileira de Patologia Clínica/Medicina Laboratorial e da
Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia, valores acima de 20 ng/mL são considerados ideais para a população saudável, especialmente até os 60 anos. Para grupos de risco, como idosos, gestantes, lactantes, pacientes com raquitismo/osteomalácia, osteoporose, histórico de quedas e fraturas, causas secundárias de osteoporose (devido a doenças e medicações), hiperparatireoidismo, doenças inflamatórias, doenças autoimunes, doença renal crônica e síndromes de má absorção (clínicas ou pós-cirúrgicas), os valores recomendados situam-se entre 30 e 60 ng/mL. No entanto, é importante destacar que níveis acima de 100 ng/mL representam risco de toxicidade e hipercalcemia, sendo necessário evitar concentrações excessivas.
Grupos de risco para hipovitaminose D
A hipovitaminose D é uma condição que afeta principalmente certos grupos de risco, destacando-se a população idosa, com idade acima de 60 anos. Além disso, indivíduos que evitam a exposição solar ou que possuem contraindicação para tal prática estão mais suscetíveis a essa deficiência. Outro grupo vulnerável inclui aqueles que têm histórico de fraturas ou quedas recorrentes, podendo indicar uma possível fragilidade óssea associada à falta de vitamina D. Os perigos da falta de vitamina D também se fazem presentes em gestantes e lactantes, cujas necessidades nutricionais aumentam significativamente durante esses períodos. Indivíduos diagnosticados com osteoporose, tanto de forma primária quanto secundária, estão propensos à hipovitaminose D devido à importância dessa vitamina na saúde óssea. Da mesma forma, pessoas com doenças osteometabólicas, como raquitismo, osteomalácia e hiperparatireoidismo, integram esse grupo de risco.
Doenças renais crônicas também aumentam a probabilidade de deficiência de vitamina D, assim como síndromes de má-absorção, incluindo casos após cirurgia bariátrica e doença inflamatória intestinal. Além dos fatores de saúde, certos medicamentos podem interferir na formação e degradação da vitamina D, contribuindo para a hipovitaminose. Terapia antirretroviral, glicocorticóides e anticonvulsivantes são exemplos de medicamentos que podem impactar os níveis dessa vitamina no organismo.
Tratamento para hipovitaminose D
O tratamento para vitamina D abaixo de 20 ng/mL geralmente envolve uma abordagem combinada:
- Exposição solar controlada:
Incentivar a exposição solar adequada é crucial. No entanto, é importante equilibrar isso com precauções para evitar danos à pele.
- Suplementação:
Em casos mais graves, os suplementos de vitamina D podem ser prescritos para elevar rapidamente os níveis no organismo.
- Plano alimentar:
Uma dieta rica em alimentos fontes de vitamina D, como peixes gordurosos, ovos e cogumelos, é essencial para manter níveis adequados no longo prazo.
A importância da orientação nutricional
É fundamental ressaltar a importância da orientação nutricional na prevenção e tratamento da hipovitaminose D. Um plano alimentar equilibrado, combinado com orientações sobre exposição solar segura, pode desempenhar um papel significativo na manutenção de níveis ideais de vitamina D. Se você deseja saber mais sobre como montar um plano alimentar personalizado, confira este link para obter mais informações.
Cuidar da saúde é um investimento para uma vida melhor. Se você suspeita de uma deficiência de vitamina D ou deseja melhorar sua saúde nutricional, consulte um profissional de saúde, como um nutricionista. O software DietBox é uma ferramenta aliada para obter orientações personalizadas sobre plano alimentar, e muito mais, com o auxílio de um profissional de nutrição.
Conclusão
A hipovitaminose D é uma preocupação crescente em todo o mundo, afetando pessoas de todas as idades. Compreender suas causas, sintomas e impactos é crucial para prevenir complicações a longo prazo. A combinação de exposição solar controlada, suplementação quando necessário e uma dieta equilibrada pode ser a chave para manter níveis saudáveis da vitamina e promover uma vida plena e ativa, evitando sintomas prejudiciais causados pela falta de vitamina D como o desânimo. Priorize sua saúde, busque orientação profissional e permita que a vitamina D ilumine o caminho para o seu bem-estar.
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