A gestação é um período de transformações profundas no corpo da mulher, exigindo cuidados específicos para garantir o bem-estar da mãe e do bebê. Entre as preocupações que surgem durante esse período, a obesidade gestacional desponta como um tema de grande relevância. Portanto, se apropriar sobre como acontece a obesidade gestacional, bem como, riscos associados e as medidas preventivas e de tratamento recomendadas, é essencial para a manutenção de uma gravidez saudável.
O que é a obesidade gestacional?
A obesidade gestacional refere-se ao excesso de peso durante a gravidez, podendo aumentar o risco de complicações tanto para a mãe quanto para o bebê.
- Afinal, qual o IMC ideal para gestantes?
Em uma busca rápida sobre obesidade gestacional no scielo, é possível perceber que no contexto da gestação, o índice de massa corporal (IMC) (peso, em quilogramas, dividido pela altura ao quadrado, em metros), desempenha um papel crucial como indicador de saúde. Enquadrando de 18,5 a 24,9 como faixa normal, 25,0 a 29,9 como sobrepeso e ultrapassando 30,0 como obesidade em adultos, essas categorias continuam relevantes, apesar das variações causadas pelo aumento do conteúdo de água no corpo durante a gravidez. Portanto, o IMC ainda é frequentemente utilizado como ferramenta essencial para triagem e acompanhamento da obesidade gestacional, proporcionando orientações valiosas para garantir o bem-estar tanto da mãe quanto do bebê.
- Mas e durante a gravidez, qual é o ganho de peso esperado?
A quantidade ideal de ganho de peso durante a gravidez varia de acordo com a condição nutricional inicial da mãe. Para a prevenção de complicações causadas pela obesidade na gravidez, o ministério da saúde, estabelece uma faixa recomendada de ganho de peso por trimestre. Para gestantes com baixo peso, a orientação é ganhar 2,3 kg no primeiro trimestre e 0,5 kg por semana nos trimestres seguintes. Aquelas com peso adequado, com IMC entre 18,5 e 24,9, devem mirar um ganho de 1,6 kg no primeiro trimestre e 0,4 kg por semana nos trimestres subsequentes.
Por outro lado, gestantes com sobrepeso são aconselhadas a ganhar até 0,9 kg no primeiro trimestre, enquanto as gestantes obesas não têm uma recomendação específica de ganho de peso nesse período. Nos trimestres seguintes, as gestantes com sobrepeso devem visar um ganho de até 0,3 kg por semana, enquanto as gestantes obesas são orientadas a um ganho de até 0,2 kg por semana. Essas diretrizes buscam personalizar as metas de ganho de peso de acordo com a situação específica de cada gestante, promovendo uma abordagem mais precisa e individualizada.
Causas da obesidade gestacional
A resposta para o questionamento sobre como acontece a obesidade gestacional não é pontual, uma vez que a obesidade é uma condição crônica e complexa, cuja origem envolve uma interação de diversos fatores, tais como genéticos, emocionais, ambientais e relacionados ao estilo de vida. Dentre eles, destacam-se a falta de atividade física, dieta desequilibrada, ganho excessivo de peso antes da concepção e predisposição genética. Para entender como acontece a obesidade gestacional em cada caso é necessário possuir uma compreensão dessas causas, e assim implementar estratégias preventivas eficazes de acordo com a individualidade de cada gestante.
Riscos da obesidade gestacional
A obesidade na gravidez apresenta riscos, afetando tanto a mãe quanto o feto. Até dois terços das gestações são impactadas pelo sobrepeso e obesidade, elevando significativamente o risco de complicações como diabetes gestacional, hipertensão, pré-eclâmpsia, além de aumentar as chances de morte materna e neonatal.
- Complicações para a mãe
Os riscos da obesidade na gravidez para a mãe não devem ser subestimados. A diabetes gestacional, por exemplo, aumenta o risco de diabetes tipo 2 no futuro. Além disso, a hipertensão arterial pode levar à pré-eclâmpsia, uma condição séria que pode causar danos ao feto e colocar a vida da mãe em risco.
- Complicações para o bebê
O bebê também enfrenta riscos significativos quando a mãe está obesa durante a gestação. Em pesquisa sobre obesidade gestacional no scielo mostram estudos que associam a condição com maior risco de defeitos congênitos, macrossomia (um bebê com peso excessivo ao nascer), complicações respiratórias e, em casos extremos, o aumento da taxa de mortalidade neonatal.
Como prevenir e tratar a obesidade gestacional?

Para a prevenção de complicações causadas pela obesidade na gravidez, o ministério da saúde destaca a importância do pré-natal. Os profissionais da área de saúde desempenham um papel crucial na prevenção do ganho excessivo de peso pós-parto quanto na redução do risco de obesidade futura. Isso se concretiza por meio da monitorização cuidadosa do aumento de peso durante a gestação e da oferta de orientações apropriadas sobre as quantidades recomendadas para um ganho de peso gestacional saudável. Em pesquisa sobre a prevenção e o tratamento da obesidade gestacional no scielo, chega-se à conclusão de que a conduta demanda uma abordagem abrangente, com ênfase em ações preventivas antes e durante a gravidez. Estimular a prática regular de exercícios físicos, adotar uma alimentação equilibrada e manter o controle do peso antes da concepção são passos essenciais nesse processo.
A importância do acompanhamento nutricional
O acompanhamento nutricional é uma peça-chave no cuidado da gestante. Profissionais de saúde, especialmente nutricionistas especializados em gestação, desempenham um papel vital no fornecimento de orientações personalizadas para diminuir os riscos da obesidade na gravidez. Os nutricionistas mais recomendados do Brasil você encontra no Dietbox .
Plano alimentar para obesidade gestacional
A nutrição adequada durante a gravidez é crucial para garantir o desenvolvimento saudável do feto e prevenir complicações relacionadas à obesidade gestacional. Um plano alimentar bem equilibrado deve incluir uma variedade de nutrientes essenciais, como ácido fólico, ferro, cálcio e proteínas. Abaixo, apresentamos um exemplo básico de plano alimentar:
- Café da manhã: Aveia com frutas e mix de nuts.
- Lanche da manhã: Iogurte natural com morangos.
- Almoço: Peito de frango grelhado, arroz, feijão e legumes cozidos.
- Lanche da tarde: Um punhado de nozes e uma maçã.
- Jantar: Salmão assado, salada de batata com grão de bico e brócolis.
Lembrando: este cardápio é um exemplo simples, e não se aplica a todas as realidades. O planejamento alimentar deve ser realizado por um profissional de Nutrição especializado de maneira individualizada, de forma a atender as necessidades nutricionais de cada paciente. Para obter suporte nutricional personalizado, consulte um nutricionista especializado em gestação pelo Dietbox. Invista na sua saúde e no bem-estar do seu bebê.
Conclusão
A obesidade gestacional é um desafio significativo, mas com a conscientização e os cuidados adequados, é possível minimizar os riscos associados. A prevenção de complicações causadas pela obesidade na gravidez estabelecida pelo ministério da saúde, o acompanhamento nutricional e a adoção de um estilo de vida saudável são pilares essenciais para garantir uma gestação tranquila e o nascimento de um bebê saudável. Não deixe de buscar orientação profissional e tomar medidas preventivas desde o início da gestação. O investimento na sua saúde e na saúde do seu filho é o melhor presente que você pode oferecer.
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