
Determinar o que é o gasto energético (GE) e como calcular o gasto energético de um indivíduo é fundamental para a avaliação das necessidades metabólicas. Atualmente, muitas técnicas estão disponíveis para definir as fórmulas para o gasto energético basal e os diferentes componentes do gasto energético. Essas se diferem nos requisitos instrumentais e técnicos, bem como na exatidão e precisão das medições.
A calorimetria direta e indireta são algumas das técnicas utilizadas para realizar a medição do gasto energético de repouso. Desse modo, o gasto energético pode ser determinado a partir do consumo de macronutrientes ou de oxigênio, ou a produção de calor ou de dióxido de carbono.
É um determinante fundamental para compreender o total de energia diária necessária para realizar as atividades do dia-a-dia. Compreender os mecanismos que englobam o que é o gasto energético é importante pois é através deles que iremos realizar o cálculo do gasto energético total (GET).
O que é gasto energético?
A determinação do gasto energético é fundamental para a avaliação das necessidades metabólicas. Além disso, o gasto energético é composto por três componentes:
- gasto energético em repouso;
- gasto energético induzido pela dieta;
- e gasto energético induzido por atividade (atividade física e exercício físico).
A ingestão alimentar afeta todos os esses três componentes, alterando assim, o gasto diário total de energia. Muitas técnicas estão disponíveis para medir os diferentes componentes do gasto energético, e se diferem nos requisitos instrumentais e técnicos, bem como na exatidão e precisão das medições.
Atualmente, são empregadas duas técnicas para medir o gasto energético, a qual pode estar ligada ao nível de produção e/ou perda de calor, através da calorimetria direta, ou medindo a produção e consumo de oxigênio e/ou produção e dióxido de carbono, através da calorimetria indireta.
A água duplamente marcada é uma forma de calorimetria indireta que mede com alta precisão o gasto energético total fora de confinamento, como em uma prova de ciclismo, nado sincronizado, alpinismo, entre outros. Esta técnica é considerada padrão ouro para determinação das necessidades energéticas, pois nos fornece informações precisas sobre a produção de dióxido de carbono.
Além disso, essa técnica nos permite estudar a etiologia da obesidade, determinar o gasto energético em condições especiais, validar instrumentos de avaliação da prática de atividades físicas e na validação dos métodos de consumo alimentar.
O que é gasto energético total (GET)?
O gasto energético total é constituído pela soma da taxa metabólica de repouso + efeito térmico dos alimentos + gasto calórico vinculado à atividade física e exercício físico.
É um determinante fundamental para compreender o total de energia diária necessária para realizar as atividades do dia-a-dia, desde o desenvolvimento, manutenção e movimentos do corpo, bem como a energia despendida na atividade física.
Existem variações consideráveis no gasto energético diário devido a diferenças diárias na atividade física ou variações na duração do sono. O gasto energético de repouso também pode ser determinado a partir do consumo de macronutrientes ou de oxigênio, ou a produção de calor ou de dióxido de carbono.
O efeito térmico do alimento geralmente abreviado como ETA (algumas fontes também podem chamar de termogênese induzida pela dieta ou TID), é o gasto energético atribuído ao consumo, digestão, absorção dos alimentos, metabolismo e armazenamento dos macronutrientes. Este pode variar com a composição da dieta e é geralmente quantificado por calorimetria indireta.
Além disso, o TID tem uma margem de 5 a 15% de contribuição para o gasto energético diário total, e apesar de sua menor contribuição, existe a possibilidade de que um defeito em seu processo favoreça a predisposição à obesidade.
O gasto energético induzido pela atividade é o componente mais variável do gasto energético pois está relacionado com os exercícios, tarefas e movimentos diários. Esta pode ser obtida pela subtração do gasto energético total e gasto energético em repouso, menos o gasto energético induzido pela dieta. Podendo variar de 100kcal/dia em pessoas sedentárias a 3000kcal/dia em atletas. No equilíbrio energético, a ingestão de energia é igual ao gasto de energia, e qualquer desequilíbrio entre os dois leva a um ganho ou perda de reservas corporais.
O que é o gasto energético basal (GEB)?
O gasto energético basal representa o total de energia necessária para que as funções vitais do organismo ocorram.
Em indivíduos saudáveis, o GEB representa aproximadamente de 60 a 70% do gasto diário total. O GEB normalmente é ligeiramente superior à taxa metabólica basal, que é medida sob condições mais rigorosas. O gasto energético basal é usualmente estimado através da medição da calorimetria indireta, através da bioimpedância ou outras equações preditivas.
Além do mais, condições como o tamanho corporal, a composição corporal, a idade e o sexo são alguns dos principais fatores que contribuem para as variações individuais no gasto energético basal.
O gasto energético em repouso (GER) se refere a energia gasta em atividades necessárias para manter as atividades corporais normais e a homeostase. Essas atividades incluem a respiração e a circulação, a síntese de compostos orgânicos e o bombeamento de íons através das membranas. O GER, inclui a energia exigida pelo sistema nervoso central e também para a manutenção da temperatura corporal. Ele não inclui a termogênese, atividades ou outros gastos energéticos e é 10% a 20% maior do que o GEB.
Como calcular o gasto energético?
Ao longo dos anos, diversas equações foram desenvolvidas para estimar o gasto energético. As equações de Harris-Benedict era uma das equações mais utilizadas para realizar o cálculo do gasto energético em indivíduos normais, enfermos ou feridos. Porém, descobriu-se que essa fórmula subestimava o GE em indivíduos normais e obesos de 7 a 27%.
Entretanto, estudos recentes apontaram as equações de Mifflin-St. Jeor eram mais precisas para estimar o GE tanto em indivíduos normais ou obesos. As equações de Mifflin-St. Jeor são utilizadas até hoje em dia para estimar o gasto energético de diferentes públicos.
Como calcular o gasto energético basal?
O cálculo das necessidades energéticas se difere para o público masculino e feminino, porém seu valor preditivo não é afetado. Elas são as seguintes:
Calculadora gasto energético segundo Mifflin-St. Jeor:
GER = 9,99 x peso + 6,25 x altura – 4,92 x idade + 166 x sexo (homens, 1 ; mulheres, 0) – 161.
| Sexo | Fórmula de Harris-Benedict |
| Feminino | 655 + (9,6 x P) + (1,9 x A) – (4,7 x I) |
| Masculino | 66 + (13,8 x P) + (5,0 x A) – (6,8 x I) |
FAO/OMS: P é peso.
| Idade (Anos) | Masculino | Feminino |
| 10 a 18 | (17,686 x P) + 658,2 | (13,384 x P) + 692,6 |
| 18 a 30 | (15,057 x P) + 692,2 | (14,818 x P) + 486,6 |
| 30 a 60 | (11,472 x P) + 873,1 | (8,126 x P) + 845,6 |
| + 60 | (11,711 x P) + 587,7 | (9,082 x P) + 658,5 |
Mifflin-St Jeor: P é peso, A é altura em centímetros e I idade em anos. É a mais precisa para estimar o GEB tanto em individuos eutróficos, como em sobrepeso e obesos. Costumo utilizar em pacientes com objetivo de emagrecimento.
| Sexo | Fórmula de Mifflin-St Jeor |
| Feminino | (10 x P) + (6,25 x A) – (5,0 x I) – 161 |
| Masculino | (10 x P) + (6,25 x A) – (5,0 x I) + 5 |
Cunningham e Tinsley: P é peso e MLG é massa livre de gordura. São as equações mais indicadas para individuos ativos fisicamente e que possuem alto volume muscular e baixo percentual de gordura.
| Nome da Equação | Fórmula |
| Cunningham (MLG) | (22 x MLG) + 500 |
| Tinsley (MLG) | (25,9 x MLG) + 284 |
| Tinsley (P) | (24,8 x P) + 10 |
Como calcular o gasto energético total?
As equações para calcular o gasto energético total começam com o gasto energético em repouso. Também devem ser adicionados os demais fatores como a termogênese e o fator atividade física. Uma maneira simplificada de prever os adicionais por atividade física é usar estimativas do grau de atividade física, que é calculada multiplicando a energia gasta por minuto de exercício vezes a quantidade de tempo gasto nessa atividade, conhecidos como METS, equivalente metabólico da tarefa.
Ademais, para um cálculo do gasto energético preciso, também é necessário estipular a quantidade necessária de calorias que devem ser consumidas diariamente para que o indivíduo mantenha o seu peso e composição corporal, assim podemos manipular a ingestão entre déficit e superávit calórico com o objetivo de induzir a redução ou aumento de peso e mudanças necessárias na composição corporal de acordo com o objetivo do paciente.
Calculadora gasto energético total segundo Mifflin-St. Jeor:
GER (homens) = 10 x peso (kg) + 6,25 x altura (cm) – 5 x idade (y) + 5 ;
GER (mulheres) = 10 x peso (kg) + 6,25 x altura (cm) – 5 x idade (y) – 161.
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Qual a importância do gasto energético na saúde e bem-estar?
O aumento do gasto energético com a atividade física é reconhecido como um importante coadjuvante em programas para redução da massa corporal.
O conhecimento do gasto energético do exercício e das respostas metabólicas por ele desencadeadas pode ser importante para auxiliar no cálculo das necessidades energéticas diárias, ou determinar a eficiência do organismo durante a realização de um exercício.
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Como entender o Gasto Energético?
Como podemos entender como funcionam todos os aspectos do Gasto Energético
Neste texto, conseguimos compreender todos os mecanismos que englobam o gasto energético. Uma vez que há diversos métodos e fórmulas disponíveis para medir o gasto energético, se torna importante entender as diferenças entre esses métodos e como eles podem ser aplicados na prática clínica e no ambiente de pesquisa.
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