O que leva à redução no gasto energético durante o emagrecimento?

Sabemos que ao longo do processo de emagrecimento alguns fatores como redução no gasto energético total podem impactar negativamente no nosso paciente. Para entender esse processo vamos passar primeiro por alguns conceitos.

Divisão do gasto energético

Nosso gasto energético total é dividido em 4 componentes. Primeiramente, a Taxa Metabólica Basal (TMB) que corresponde a cerca de 70% do nosso gasto total. Por exemplo, se você tem um gasto total de 2600 Calorias no dia você pode gastar aproximadamente 1820 Calorias através da TMB (Aragon et al., 2017). Ainda há outros 3 componentes: o NEAT que é o nosso gasto em atividades diárias, componente que pode variar muito dependendo da nossa atividade física. E a termogênese induzida pela dieta e o gasto energético em atividade física. Estes 4 componentes representam todo nosso gasto energético total. 

As evidências científicas

O emagrecimento mexe muito em dois componentes: a TMB  e o NEAT, que são possivelmente os mais afetados com a perda de peso. Um trabalho com quase 30 anos de publicação (Leibel et al., 1995) serve muito pra nos explicar como essa perda de peso afeta tais componentes levando a uma redução do nosso gasto energético. Foi uma análise  de 18 indivíduos obesos e 23 indivíduos que nunca foram obesos. Os indivíduos foram estudados com seu peso corporal normal e após perderem de 10 a 20% de seu peso corporal por subalimentação ou ganhando 10% por superalimentação. 

As reduções em NEAT parecem ser proporcionais ao peso perdido, basicamente nosso paciente que perde peso no começo tem um gasto em atividades diárias maior e depois esse gasto parece que vai caindo. Opinião pessoal: maior eficiência em produção de energia ou seja, ela está mais econômica, devido ao peso perdido. Além de adaptações metabólicas pra isso. Já no caso da Taxa metabólica basal, ocorre um fenômeno que chamamos de termogênese adaptativa (que nada mais é que uma redução do gasto em repouso devido a alterações metabólicas provenientes da perda de peso e da restrição calórica). Quase que como uma resposta biológica ao agente agressor, a perda de peso (Muller et al., 2016)

Então ao contrário do que muitos pensam, perder peso pode ‘’tornar nosso metabolismo mais lento’’.

Referências:

doi: 10.1007/s13679-016-0237-4

doi: 10.1056/NEJM199503093321001

doi: 10.1186/s12970-017-0174-y

Fabrício Degrandis

Crn 9410p

Formado em nutrição e educação física

Especialista na área de nutrição esportiva

Mestrando em nutrição

Instagram: @nutrifabriciodegrandis

*O texto é de inteira responsabilidade do(a) autor(a) e não reflete a opinião da empresa. O blog é aberto caso outro(a) profissional queira escrever um contraponto.

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