Dietas com carnes podem ser mais inflamatórias que dietas à base de vegetais?

Atualmente, sabe-se que a inflamação crônica pode estar associada com diversos tipos de doença. A obesidade, aliás, é uma doença que tem forte ligação com processos inflamatórios. Por exemplo, uma citocina pró inflamatória bem conhecida e sua relação com a obesidade e resistência insulínica é o Fator de Necrose Tumoral Alfa (TNF-α). Outra citocina com forte relação com a obesidade e doenças diversas é a Interleucina-6 (IL-6) bem como a PCR, uma proteína hepática de fase aguda que parece se comportar quase que proporcional ao aumento do Índice de Massa Corporal (IMC).

Somado a isso, por mais que muito se fale a respeito de como a nutrição pode afetar processos inflamatórios e regular os mesmos, muito pouco se sabe sobre o assunto. Tanto que corriqueiramente observamos profissionais da nutrição ou não fazendo a afirmação de que determinado alimento está ligado a processos inflamatórios, mas como saber se isso é verdade sem ciência, concordam?


Mas, afinal, carnes ou vegetais, qual pode ser mais inflamatório?

Claro que isso não é uma resposta simples. Mas, pra começarmos o debate, que tal esse trabalho realizado em 2019 por pesquisadores Alemães de importantes centros universitários de Nutrição? Pra analisar e concluir um desfecho a pesquisa foi realizada da seguinte forma: 37 pacientes com diabetes tipo 2 e com IMC médio de 30,2  kg / m 2 foram submetidos a dietas hiperproteicas (cerca de 30% da composição da dieta em proteínas) com alto teor de proteína animal OU vegetal durante seis semanas.

Níveis de adipocinas pró-inflamatórias, citocinas pró-inflamatórias (como a IL-6 e a TNF-α) já citadas neste texto, bem como outras como a receptor ativador do plasminogênio solúvel do tipo uroquinase (suPAR), fator de crescimento transformador beta 1 (TGF -β1)] e proteínas [calprotectina, lactoferrina e fator de diferenciação de crescimento 15 (GDF-15)] foram medidos no início e no final do estudo.

Por fim, existe uma opção mais saudável?

No final do estudo, foi averiguado que ambos os grupos perderam peso (o que é muito bom), além de não haver diferenças em marcadores como TNF-α e IL- 6, bem como as outras avaliadas com relação ao tipo de dieta aplicada. Ainda, foram observadas igualmente diminuições de marcadores como as adipocinas pró-inflamatórias, o que é positivo.

Ou seja, no importante trabalho analisado, aparentemente, não há diferenças entre o consumo de carne ou uma dieta a base de vegetais em marcadores inflamatórios quando a dieta é organizada de maneira inteligente. Atente-se ao fato de que os indivíduos emagreceram, o que sabemos há anos que é uma vantagem no quesito inflamação.

Nome Nutricionista: Fabricio Tabelião Degrandis
CRN: 9410p
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Site: http://www.fabriciodegrandis.com.br

*O texto é de inteira responsabilidade do(a) autor(a) e não reflete a opinião da empresa. O blog é aberto caso outro(a) profissional queira escrever um contraponto.

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